Tuesday, September 01, 2009

WebLove 2.0

Você tocou minha alma e encheu meu peito de inspiração. Primeiro com suas palavras sobre o amor e aquela coisa toda a respeito de Paris. Depois foram aquelas fotos borradas e coloridas, cheias de luzes, copos e cigarros. Eu sempre me imaginava como o fotógrafo. Eu batia a foto e você corria pra ver na tela da máquina. Quando achava boa, sorria e me beijava. Falava que eu “devia ser profissional”. É assim que você faz. Pelo menos é assim que eu penso.

Eu posso dizer sim que te conheço. Sei das tuas coisas. Não consigo falar como está seu cabelo hoje, mas sei o que se passa. Eu leio o que você escreve. Eu já ouvi suas músicas. Mapeie tudo sobre você e me apaixonei pela sua mente. Eu apaixono pela mente das pessoas. Eu desconfio como deve ser seu escritório, cheio de gente descolada como você. Todos te adoram e trazem presente da Benedito Calixto sempre que vão lá. Deixam na mesa, com um post-it colado “achei a sua cara”. Nos meus sonhos você sempre agradece com um abraço e diz que não precisava. No fim do expediente todos vão pra aquele barzinho na General Jardim do lado da Escola de Arquitetura. É meu bar preferido. Tem sempre uma banda de Jazz lá. Pode ser que eu tenha te visto algum dia.

Seus amigos são ótimos. Eu poderia ser da mesma turma. Poderia fazer um almoço no domingo e convidar todos eles. A gente faria uma vaquinha e compraria um frango assado e várias caixas de cerveja. E depois do almoço a gente veria um filme que eu comprei naquela barraquinha da Augusta. Eu ofereço um baseado, mas seu amigo tem haxixe. No fim da tarde todo mundo foi embora e ficamos no sofá cochilando até o Fantástico. Você provavelmente acordaria de mau humor e diria que precisa de mais espaço e que eu estou te sufocando. A gente brigaria e faria as pazes transando debaixo do chuveiro. As vezes eu durmo pensando como é o cheiro do seu cabelo molhado. Tem dias que acordo com a certeza que esteve aqui.

As vezes penso que eu poderia te passar um e-mail ou um post. Mas pra você seria melhor uma carta. Escrita com sinceridade, com dor, cheia de referências de livros que eu sei que você leu. Acontece que eu tenho medo de te conhecer de verdade. Medo de você ser uma pessoa comum. Uma pessoa chata como eu. Que tem emprego, salário, roupa-suja, dentista. Prefiro imaginar você sem estas coisas. É melhor lembrar de você indo pra praia de fusca. Talvez você tenha um fusca.

Mas o que me apavora de verdade é a possibilidade de você ser assim. Como eu penso que seja. Você me arrastaria para o inferno com tanta velocidade que a turbulência seria insuportável. O Choque térmico transformaria a realidade em cinzas, em fragmentos da dor mais pura que existe. Eu seria jogado no oceano à noite. E por mais que eu pedisse você nunca jogaria o salva-vidas. Você não é do tipo que salva-vidas. Como eu sei? Eu invento que sei.

hellfrick

1 Comment:

Mariana said...

que lindo.